Missão em Angola

O meu nome é Joana, tenho 24 anos, sou uma recém-formada em Medicina e carrego comigo um
sonho muito grande de tornar este Mundo um bocadinho mais bonito.

Há cerca de dois anos conheci a PROSOCIAL e tive o privilégio de trabalhar de perto com as Irmãs, enquanto coordenadora de um projeto da faculdade que enviou voluntários para Cassongue e para a Guiné. Ao longo desse ano percebi o quão importante era o trabalho que a Congregação realiza nestes sítios, onde a realidade parece pertencer a outro mundo. Foi nessa altura que decidi que, quando concluísse os meus estudos, iria realizar uma Missão com a PROSOCIAL e fazer parte dessa mudança!

E assim foi! No princípio do mês de Dezembro dei início à aventura que acabou por ser a mais enriquecedora experiência que tive até ao dia de hoje.
Cassongue foi a minha casa durante 2 semanas. Digo casa, porque verdadeiramente o foi. Desde o momento em que coloquei os pés fora do avião que as Irmãs me acolheram com todo o carinho e conforto. Não consigo, de todo, imaginar como teria sido esta Missão sem a ajuda e o apoio das Irmãs.
Ao longo dos dias, dividi o meu tempo entre o Hospital e o CDJ. O Hospital foi o sítio onde, enquanto médica, vi uma realidade muito triste e difícil de aceitar. É um sítio onde a Medicina ainda não evoluiu porque a população também não o fez, e isso custa vidas. Essa é uma das razões pelas quais o trabalho que as Irmãs fazem nesta comunidade é tão vital! Apercebi-me que, enquanto médica, não basta estar no hospital a trabalhar e a tratar as pessoas.

Não. É preciso muito mais. É preciso estar com a comunidade, com os adultos, com as crianças a ensinar as coisas que, para nós, são tão instintivas, como tomar banho e não beber água das poças do chão. Neste sentido, grande parte do meu tempo no CDJ foi precisamente a sensibilizar e a educar as crianças, dado que estas são o futuro e a esperança desta comunidade.

Uma das minhas partes favoritas do trabalho no CDJ foi a que eu mais temia: a palestra e o trabalho com as meninas. Tinha muito receio de abordar certos assuntos, enquanto Mulher, uma vez que venho de uma realidade completamente diferente da que é lá vivida… Mas rapidamente me apercebi da imensa importância que essas palestras e conversas têm: naquele momento eu tinha a voz que dizia às meninas que elas podiam ser muito mais do que imaginavam. Que podiam ser médicas, professoras, arquitetas, advogadas, …

Que o mundo delas não tinha de ser resumido a uma vida de silêncio com inúmeros filhos de homens que as abandonam. Que elas têm valor.

Que elas são capazes de tudo o que quiserem, desde que acreditem. E ter esta voz, ter a oportunidade de dar essa esperança a mulheres jovens, foi do trabalho mais recompensante que alguma fiz. Foi um daqueles momentos em que senti que estava mesmo a fazer a diferença e foi o melhor sentimento do mundo. O trabalho com as crianças foi também muito bonito. Percebi que, mesmo numa realidade tão diferente, são apenas crianças cheias de sonhos e ambições que querem passar o dia a brincar e não ter responsabilidades. Partiu-me o coração ver as condições em que algumas crianças nascem e crescem, mas encheu-me o coração brincar com elas e mostrar-lhes um bocadinho do mundo que existe para lá da terra batida…

Agora que regressei a Portugal, à realidade que é a minha, trago comigo muito mais do que deixei naquela comunidade. Trago comigo humildade, humanidade e gratidão por aquilo que tenho. Mas acima de tudo, trago comigo a maior felicidade e orgulho por ter tido a oportunidade de participar na mudança que as Irmãs fazem.

Comecei este texto a dizer que “tenho um sonho muito grande de tornar este Mundo um bocadinho mais bonito” e agora, olhando para o trabalho que fiz, não podia ter pedido uma forma mais especial de terminar o meu ano, pois sinto que finalmente dei um passo na direção de concretizar esse sonho.

Vou para sempre levar comigo as Irmãs e o trabalho que fizemos no meu coração, que está agora apertado e cheio de vontade de voltar. Foi verdadeiramente a experiência de uma vida que me deu e ensinou muito mais do que eu alguma vez podia ter imaginado. A palavra que me resta é simples, mas carrega todas as memórias do que vivi: Obrigada.

“Quem dá e se dá por amor, não dá, recebe” – Luiza Andaluz

> Joana Araújo